Crítica teatral sucinta do espetáculo: ” Memórias do esquecimento “

“Memórias do esquecimento”

UMA HISTÓRIA SOBRE TORTURAS E TORTURADOS, ONDE CONSTATAMOS QUE REVOLUÇÃO É SINÔNIMO DE AMOR.

“Um livro de FLÁVIO TAVARES, primeiro relato cru aparecido no Brasil sobre às prisões, torturas e assassinatos dos tempos da ditadura.O autor foi um dos 15 presos políticos trocados pelo Embaixador dos EUA, CHARLES ELBRIK, capturado no Rio em 1969. O livro recebeu o prêmio Jabuti, a mais alta distinção literária brasileira”.

“Revela imagens de um inferno apenas entrevisto por DANTE, RIMBAUD E DOSTOIÉVSKI, nele à importância ante o terror mostra à força do resistir”.

“FLÁVIO desnuda sua alma em primeira pessoa, em dolorosos relatos de uma história, de maneira emocionante e visceral. Uma história verídica e necessária para entender e conhecer mais a fundo o atual distúrbio recente do Brasil”.

“Com um cheiro de autoritarismo no ar, extremismos que nos cegam, a trajetória de FLÁVIO TAVARES precisa ser ouvida hoje, sobretudo quando muitos ainda tentam negar os horrores da ditadura”.

“Um homem que passou pelo pior que um governo pode produzir, carregando algumas mortes dentro de si, nos preservando também sua capacidade de criar amor, escrever sobre o amor. O amor por uma ideia de sociedade, uma ideia de relação com o outro. Um amor por uma ideia de transformação”.

Depois de todas essas palavras acima ditas por Bruce Gomlevsky e Daniela Pereira de Carvalho, que adaptaram esse texto/trajetória dramaturgicamente de forma indelével, realmente o espetáculo “MEMÓRIAS DO ESQUECIMENTO” é um loquaz/eloquente trabalho cênico com foco na palavra, na interpretação, que nossos ouvidos sofrem e nossa alma se despedaça, se comove.

Um trabalho de intérprete em cintilância, doloroso para o público e ator, em atuação tão aguda, que na voz de Bruce alcançamos o brilho de sua emoção. Ele nos mostra uma ditadura passada e ainda presente, que nos dilacera. Uma noite/estréia de urgência, que sangrou e nos revelou uma alma heróica de caminhos reais e ainda muito latentes em nosso presente.

Imperdível trabalho autobiográfico teatral, adaptado com maestria por Gomlevsky e Daniela Pereira de Carvalho. Vale, e deve-se destacar muito à iluminação de Felicio Mafra, em cortantes/diagonais raios de luz, que em quase todo relato existe focos de luz na platéia, interagindo diretamente com o público, criando uma cumplicidade de dor e afeto proposital com a atuação. Uma luz criada/lapidada para a sublime emoção em palavras e contundência na voz de Bruce.

“MEMÓRIAS DO ESQUECIMENTO”, precisa atravessar muitos brasileiros que devem se apressar para presenciar esse privilegiado cenário teatral, nu, cru, despojado, cruel, que ainda nos é tão atual, que foi e ainda é real. Uma história sobre tortura e torturados, onde constatamos que: REVOLUÇÃO É AMOR.

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