Mentir para amar, amar mentindo a favor de sentimentos que nos move no meio do caos. Teatralidade presenciada com os olhos e tocando nossas almas.
Hoje foi dia, não só de conferir, presenciar, sentir, emocionar, lavar a alma, assistindo a um espetáculo que nos deixa incomodados com tamanha sensibilidade teatral.
Assim diz o dramaturgo MICHEL MARC BOUCHARD:
“Homossexuais aprendem a mentir antes mesmo de aprender a amar”.
Michel Marc Bouchard
Com propriedade de quem sabe o que está falando, parece conhecer muito bem o desconforto que é viver com a sensação de “diferente” colada na pele. A partir de uma situação limite, quando um homem tem que enfrentar o enterro do namorado, BOUCHARD consegue, através de uma carpintaria teatral muito inteligente, trazer à tona fortes emoções. E consegue dar tom especialíssimo a embates aos quais fica difícil ficar impassível.
TOM NA FAZENDA, foi escrita pelo dramaturgo canadense MICHEL MAC BOUCHARD. Um texto montado pela primeira vez no Brasil. Um texto mais do que bem engendrado, onde as palavras se ligam pelo coração, pela alma, pelo desejo, pelos impulsos, pela sexualidade escondida, pelas verdades e mentiras do ser humano. Expõe mentiras necessárias, verdades dolorosas, atitudes cruéis e prazerosa, sedução a flor da pele. Um texto que digerimos com dor, com amor, e nos obriga a reconhecer nossas fraquezas e nossa crueldade.
BOUCHARD nos presenteia com esse “quadro” pintado que se transforma em obra prima. A desenvoltura cênica dos atores é visível e deixa claro o tamanho trabalho que houve para colocar em cena uma naturalidade teatral comovente, através de um texto que exige de um ator uma entrega permeada de talento, dedicação, disciplina. Os atores nos conduzem lindamente com seus corpos, vozes, emoções, ao sublime cênico. RODRIGO PORTELA, juntamente com a ótima preparação corporal de LU BRITES, constrói um espetáculo de forma aeróbica/teatral envolvente e condizente a importância das palavras ditas. BELÍSSIMA direção. AURORA DOS CAMPOS, nos dá a cenografia mais do que precisa e impactante, dentro de uma simplicidade teatral perfeita.
A iluminação de TOMÁS RIBAS, acentua e reforça a beleza do que está sendo visto. Figurinos corretissímos de BRUNO PERLATTO. MARCELO H, nos dá uma trilha sonora esmerada, nos momentos exatos dá necessidade cênica. TONI RODRIGUES, desenha perfeitamente a virilidade que a coreografia precisa.É difícil não sair do teatro “chocado” de tanta teatralidade que nossos olhos presenciam. Dramaturgo necessário, texto necessário, atores necessários e espetáculo EXTREMAMENTE NECESSÁRIO.