Crítica teatral de “A guerra não tem rosto de mulher”

RELATOS DE GUERRA, DE MORTE, ATRAVÉS DE ALMAS VIVAS, TRANSFORMADAS.

Relatos encenados de histórias de guerra e morte, com mulheres que permaneceram vivas.

“A vida é um milagre que aconteceu a elas e o milagre que acontece a cada um de nós. Falamos de guerra para que possamos desejar e construir a paz”, assim diz o diretor MARCELLO BOSSCHAR.

O espetáculo em cartaz no teatro Poeira, A GUERRA NAO TEM ROSTO DE MULHER, nos faz presenciar sentir, viver, todo desespero, lamento, dores, provações, superações e ousadia, de mulheres que quiseram viver momentos que só aos homens eram permitidos.

Os homens queriam ser heróis matando, e as mulheres foram heroínas sem almejar o desejo de matar. Elas queriam salvar todos através de uma única palavra: O AMOR.

Elas lutaram, até mataram, sobreviveram imbuídas de sentimentos que só existe no corpo, na alma da mulher.

O texto da dramaturga SVETLANA ALEKSIÉVITCH, ostenta as melhores qualidades narrativas da literatura russa. Denso, chocante, fazendo voce “sorrir”, chorar e constatar com precisão as amarguras e atrocidades de uma guerra. Texto de total reflexão, imediata e necessária. Uma tradução de CECÍLIA ROSAS, que nos remete ao atual momento que nos encontramos.

MARCELLO BOSSCHAR imprimi uma direção tão expressiva e densa, como o texto necessita. Uma dramaturgia coletiva com as atrizes que dialoga diretamente com a intensão certeira, sensata do diretor. Direção feita com a dor da guerra e o amor celebrando a vida. 

A iluminação de AURÉLIO DE SIMONI é imprescindível para um resultado extremamente primoroso do trabalho diretor/atrizes/texto. Um figurino de KIKA LOPES homogêneo corretíssimo, no contraponto da dor daquelas mulheres em situações limites.

Trilha sonora também de MARCELLO BOSSCHAR, nos colocando em cena dentro daquela guerra de sentimentos. Super acurada. CAROLYNA AGUIAR impõe uma preparação corporal no limite das emoções relatadas cenicamente. Excelente!

A entrega na interpretação das atrizes é de tirar o fôlego. LUISA THIRÉ, CAROLYNA AGUIAR, PRISCILLA ROZENBAUM, colocam sua vozes, corpos, emoções em cena, como se reunissem todos os relatos das sobreviventes em três corpos apenas. Unidade interpretativa caminha de mãos dadas a excelência que o espetáculo alcança. Interpretações irretocáveis. Verdade cênica, de corpos e alma. Emocionante!

O espetáculo A GUERRA NÃO TEM ROSTO DE MULHER, tem a alma cênica de pessoas resistindo a todo o tipo de guerra que estamos expostos, nesse momento que gritamos e pedimos por mais justiça e igualdade.

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