Crítica teatral de “Entonces bailemos”

BAILANDO COM O PRAZER E A DOR DO SER HUMANO.

O Espetáculo teatral ” ENTONCES BAILEMOS”, do dramaturgo e diretor argentino MARTÍN FLORES CÁRDENAS, em cartaz no Sesc Copacabana, após viajar por alguns países da América do Sul, chega ao Brasil com um elenco de atores brasileiros de primeira linha.

O espetáculo nos deleita com inúmeros talentos cênicos presentes num trabalho mais do que necessário e deliciosamente competente. Infelizmente não tenho os nomes de toda a equipe técnica, mais do que profissional, desse instigante e inquietante trabalho.

MARTÍN FLORES CÁRDENAS, que é o autor e diretor, é um dos expoentes da cena teatral portenha e caminha rumo da contudência e o visceral da palavra. Ele prima por uma cena que tem em seu conteúdo as feridas abertas sem vitimizar o ser humano.

O espetáculo é idealizado por PAULO CESAR MEDEIROS, que tem em sua iluminada caminhada, a excelência da iluminação cênica.
“ENTONCES BAILEMOS”, tem como foco o amor, o avesso do amor idealizado. Os sentimentos ocultos, os impulsos incontroláveis, as atitudes renegadas, os gestos de afeto, de tesão. Colocados em cena com extremo bom humor, urgência e uma competência cênica primorosa.
O diretor nos impacta com uma encenação permeada de objetividade, colocando cenicamente nossos desejos mais recônditos, mesmo que venham carregados de violência, dor, em busca do que denominamos; A procura do amor. Um amor não idealizado, mas sim, cheio de verdade emocional.

Quando amamos também somos violentos, cruéis, manipuladores, e também estamos imbuídos de sentimentos verdadeiros, mesmo com atitudes contraditórias.

O espetáculo nos mostra atitudes amorosas cheias de contradições, porém, urgentes e reais. Tudo isso com um mérito em cena muito presente; O bom humor.

Um texto claro, direto, conectado com um rítmo cênico e com muita objetividade. Os atores: ELISA PINHEIRO, GUSTAVO FALCÃO, LEONARDO NETTO, MARINA VIANNA e o músico, com presença essencial e muito carisma, RICCO VIANNA, imprimem todo seus talentos performáticos interpretativos, que já são peculiares a cada um. Interpretações lindas.
Um trabalho de direção de movimentos e coreográfico imprescindível num jogo dramático cheio de nuances de corpo, voz, e muita precisão.
MARTÍN FLORES CÁRDENAS não tem pudor de falar das mazelas, dores, prazeres, intentos, num espetáculo transbordando sofisticação poética.

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