
1989 – Inaugurou o Centro Cultural Banco do Brasil – RJ, com o espetáculo “MACHADO EM CENA – UM SARAU CARIOCA”, onde também atuou como atriz, ao lado de Lília Cabral, Cássia Kiss, Pedro Paulo Rangel – prêmio Mambembe.
1991 – Idealizou e coproduziu o evento multimídia MOZART – O MAIS MOÇO DOS ANJOS, em homenagem aos 200 anos de morte de Mozart, onde apresentou espetáculo inédito baseado na ópera: “AS BODAS DE FÍGARO”, com direção de Ítalo Rossi, no CCBB.
Nessa ocasião iniciou uma parceria com Ítalo Rossi, com quem trabalharia em diversos projetos, até seu falecimento – todos concebidos e dirigidos por ele:
“ATO VARIADO”:
Textos de cronistas brasileiros – Paulo Mendes Campos, Clarice Lispector, Fernando Sabino.
“Encontro com Clarice” – Textos de Clarice Lispector. Espetáculo solo.
“MOONLIGHT” – De Harold Pinter – com Bete Mendes, Claudio Correia e Castro, Selton Mello e Guilherme Piva. Tradução de Bárbara Heliodora. “2 X PINTER”: Textos de Harold Pinter, inéditos; tradução de Barbara Heliodora. Com Joana Fomm, Guida Vianna e Marcello Escorel. CICLOS DE LEITURAS DE PEÇAS TEATRAIS – Ítalo dirigiu por 8 anos o Teatro Villa Lobos, na ocasião criamos uma Associação de Amigos que apoiava as melhorias e gestão dos espaços e salas de ensaios. Fomos pioneiros nesse tipo de atividade, que recebeu apoio de mídia do Globo – quando criaram a campanha o globo no teatro. Diversos atores consagrados participaram dessas leituras, que lotavam o teatro Villa Lobos.– Participou de importantes montagens do Teatro dos Quatro, entre os anos de 1986/1993, com grande elenco. Abaixo três deles:
“Sábado, Domingo e Segunda”
“O Jardim das Cerejeiras”
“Mephisto”
– Outros espetáculos / projetos marcantes:
“C’est la vie”:
Texto inédito de Marcelo Rubens Paiva, com base em depoimentos captados no Disque Denúncia, direção de Gilberto Gawronski. “SILÊNCIOS CLAROS”, espetáculo solo, em releitura dos textos de Clarice, sob nova concepção e direção de Fernando Philbert.“ROMEU e JULIETA”:
Texto de W. Shakespeare, em tradução de Bárbara Heliodora.
Direção de Moacyr Góes, com Thelma Reston, Claudio Mamberti, Maria Luisa Mendonça, Leon Góis, Leonardo Brício e Floriano Peixoto.
“O CORPO DA MULHER COMO CAMPO DE BATALHA”:
Texto inédito de Matéi Visniec, direção de Fernando Philbert, com Fernanda Nobre.

– Experiência em televisão: TV GLOBO:
“ESPERANÇA”, “POR AMOR”, “O REI DO GADO”, “MULHERES APAIXONADAS”, “A FORÇA DO QUERER” – de volta agora. “MAD MARIA”.

– Atividades mais recentes:
Narrações de diversos audioboks. Coordenação de projetos especiais na produtora de conteúdos digitais FLOCKS – que tem entre seus canais os Cassetas e Eduardo Bueno, o Peninha – para quem dirigiu seu espetáculo; “Não Vai Cair no ENEM”, que circula por todo o país. – Perguntas da entrevista NECESSÁRIA, para o Blog/Site: ESPETACULONECESSARIO.COM.BR: Fachetti – Nos 80 anos de Ìtalo Rossi, com o teatrólogo Antonio Gilberto, esboçou e deu luz, ao único registro fotobiográfico da carreira estoica de Ítalo. Nos conte desse registro imagético, que enaltece a cultura, e a esse metafórico artista. Existe curiosidades relevantes? Ester Jablonski – Ítalo é o teatro! É – tempo presente, porque toda a sua vida foi a serviço do teatro, e como o teatro é, ele é. Não conheci ninguém que tenha tido a vida tão completamente tomada pelo ofício teatral. E, talvez, por isso mesmo, tenha dado muito pouca atenção a registros, o que o movia era o aqui e agora, o estar no palco, não gostava de revisitar trabalhos já realizados, dizia – “já foi…”. Então, termos produzido – Antonio Gilberto, que é um grande pesquisador e conhecedor da história de nosso teatro, e eu – a autobiografia “ISSO É TUDO”, um livro lindo, com fotos e textos de referência que percorre toda sua carreira, lançado pela Coleção Aplauso, no ano em que ele completou 80 anos, foi uma grande alegria. Poder dar a ele esse presente, numa festa que reuniu toda a sua grande família do teatro. Há fotos ali que ele nem sabia que existiam, ficou imensamente feliz. Fachetti – Como atriz de novelas, linguagem midiática, como se coloca nesse naturalismo tão distante dos palcos? Está se vendo com que olhar, na reprise de “A força do querer”? Ester Jablonski – O ofício de ator é um trabalho constante, você nunca está “pronto” – ainda que Hamlet diga que estar pronto é tudo – rsrsrs. Então cada trabalho, em cada veículo, tem suas especificidades e seus desafios, isso é que nos move. O naturalismo da TV é um desafio para o ator, e muitas vezes é confundido com ser “blasé”, um grande equívoco na minha opinião. A reprise da novela está ainda no começo, eu entro um pouco mais para frente – talvez quando essa entrevista seja publicada eu já esteja em ação, quero muito rever, eu aprendo muito revendo, tanto meus trabalhos, quanto de outros. Foi um trabalho que gostei muito de fazer, acho a novela ótima, um grande acerto da Glória Perez.
Fachetti – Produção cultural é uma tarefa árdua, e requer muita entrega e determinação. Nos fale um pouco desse seu lado produtora cultural.
Ester Jablonski – Desde o início sempre produzi os meus projetos, sempre tive muitas ideias que, para colocar em prática, tinha de ser assim. É muito difícil, duro, principalmente por ter de me dividir com o trabalho de atriz. Mas acho que todo ator deveria ter essa experiência, tem um lado de liberdade precioso. Mas sempre me cerquei de equipes extraordinárias, competentes e muito parceiras. Porque teatro é isso, é o coletivo, é feito de afinidades eletivas.
Fachetti – O que nos conta, destaca, da sua participação no descortinar do imponente CCBB, RJ. Como foi esta inauguração, com um espetáculo – com sua presença atuando – que levou o prêmio Mambembe?
Ester Jablonski – A inauguração do CCBB RJ, em 1989 foi um marco na minha vida, a primeira grande produção, ainda em parceria com minha grande amiga Miriam Brum.
Eu tinha um projeto de um espetáculo – “MACHADO EM CENA, UM SARAU CARIOCA”, unindo cenas selecionadas do teatro de Machado de Assis, com música, ao vivo, de pesquisa da época – pelo Quadro Cervantes, um maravilhoso conjunto de artistas/pesquisadores de nossa música, e com cenografia de cortinados que remetessem a um salão da época, onde se realizavam saraus, e figurinos compostos com esses elementos – tudo pintado à mão, um projeto lindo de Romero Andrade de Lima.
Um elenco de peso; Cássia Kiss, Luís de Lima – que também era o diretor – Maria Lucia Dahl, Eduardo Tornaghi, Pedro Paulo Rangel e eu. Tudo lindo, maravilhoso; mas sem local, patrocínio, essas coisas que todos conhecemos bem. Aí, um dia, leio no jornal que o CCBB ia ser inaugurado com um grande evento multimídia dedicado a Machado de Assis – sem nada programado em teatro! E nós ali, com tudo para oferecer! Aí “deu match”, foi incrível, quem dirigia o CCBB na época era o Luiz Dolino, um grande artista plástico, que nos acolheu. Fizemos uma estreia histórica com a presença da ABL, inaugurando em seguida a casa de chá com eles, foi inesquecível. Esse espetáculo, deu ao Pedro Paulo Rangel seu primeiro Molière.
Fachetti – Com Ítalo Rossi firmou uma parceria, idealizando, coproduzindo vários projetos por ele concebido e dirigido. Fale desta parceria ostensiva. Conte um pouquinho dos 4 espetáculos: “Ato variado”, “Encontro com Clarice”, “Moonlight” e “2 x Pinter.
Ester Jablonski – Tive um encontro fundamental na minha vida com Ítalo, que se iniciou em 1990, quando o convidei para participar da montagem da peça “UM DIA MUITO LOUCO”, uma adaptação da ópera “AS BODAS DE FÏGARO”, de Mozart, dentro da programação multimídia do CCBB, em homenagem aos 200 anos da morte do compositor – uma enorme produção da qual fiz parte.
Ítalo acabou dirigindo o espetáculo, um enorme sucesso, e desde então, até sua morte, em 2011, seguimos muito, muito próximos, eu sempre o frequentava, trocávamos ideias e projetos, sinto imensas saudades dele. Fizemos a partir daí inúmeros projetos juntos, ele como diretor.
“ATO VARIADO”, era uma coletânea de cronistas brasileiras que inaugurou o teatrinho do Espaço II do Villa Lobos – falo mais sobre isso abaixo.
“ENCONTRO COM CLARICE” – um solo meu, com textos da Clarice Lispector.
MOONLIHGHT – e 2X PINTER – Textos de Harold Pinter inéditos aqui, espetáculos muito marcantes, modernos, ousados. Ítalo era um apaixonado pela dramaturgia de Pinter, do aspecto econômico e preciso de sua linguagem teatral, e foi um grande encenador de suas obras. Acho que as “temperaturas” se encaixavam – dele e Pinter.





