“A LIBERDADE É UM LUXO, QUE POUCOS PODEM COMPRAR”.
Diante dessa constatação, enxergamos no espetáculo LABIRINTO, um caminho tomado pelos dramaturgos, ALEXANDRE COSTA, PATRICK PESSOA e PEDRO KOSOVSKI, totalmente político, em busca de justiça pela opressão dos que detém o poder. Um texto extremamente contemporâneo com base no drama mito/minotauro.
“Travado dentro do labirinto de Creta, o embate entre teseu e o minotauro é o ápice de um enredo que constitui uma das narrativas mais (in)fluentes de toda a poesia grega”. Minotauro uma criatura dual, descendendo tanto do humano quanto do divino. “Encerrar o monstro dentro do labirinto exigia o ônus de alimenta-lo. Aproveitando-se da vitória obtida numa guerra contra Atenas – motivada por questões politicas, mas também pessoais, Minos, Rei de Creta, impõe aos vencidos um tributo sacrificial: os atenienses deveriam enviar anualmente catorze jovens, sete moças e sete rapazes, como repasto para o monstro”.
“A sobrevivência de um mito depende da possibilidade de ser acolhido historicamente, o que sempre implica um certo grau de reinvenção. Sua transmissão traz em si uma inevitável medida de reelaboração, de modo que um mito original só sobrevive por meio de sua atualização histórica”. “Dizer da fluência dos mitos é dizer também da sua influência, de seu poder: o mito determina de forma decisiva e indelével todo um conjunto de convicções, de valores e visões de mundo a que geralmente damos o nome de CULTURA ou mesmo TRADIÇÃO”. “A peça LABIRINTO foi escrita no ano de 2015. Depois de uma série de acontecimentos políticos que culminaram nas sucessivas perdas de direito causadas pelo estado de exceção que se instaurou no Brasil, julgamos que nosso “labirinto” revestiu-se de uma nova atualidade”.
O espetáculo LABIRINTO se “reinventa”, segundo os autores, baseado nos últimos acontecimentos, como resistência a esse poder que esmaga, tirando a cada dia o pouco que conquistamos. Como se nós fossemos os personagens anônimos lutando para permanecermos com um pouco de dignidade. O espetáculo é uma grande metáfora a vida. A encenação coloca na voz dos atores o que pensamos, sentimos no aqui/agora. Um texto totalmente moderno/contemporâneo. Escrito com esmero e poesia. A direção de DANIELA AMORIM corrobora e acentua o cuidado do texto. Os atores se apoderam da tarefa e executam com cuidado e talento. RENATO MACHADO cria uma luz condizente com a poesia das palavras e engrandece o momento de cada um dos atores. Direção musical densa e correta dentro do ambiente cênico, feita por CADU TENÓRIO e ROMULO FRÓES. Um espetáculo atento a nossas necessidades do agora.