Crítica teatral de “Ivanov”

UM TRABALHO PERMEADO PELA DELICADEZA E O SENSO DE HUMOR TCHEKHOVIANO.

O dramaturgo russo ANTON TCHEKHOV era político e ao mesmo tempo delicado por colocar em seus textos toda decadência de uma sociedade, no caso a Rússia. Em seus escritos eram evidentes o que todos identificavam imediatamente, a DELICADEZA e o SENSO DE HUMOR, além do requinte e a perfeição dramatúrgica como por exemplo em: A GAIVOTA, TIO VÂNIA, AS TRÊS IRMÃS e em seu último texto, O JARDIM DAS CEREJEIRAS.

IVANOV, espetáculo em cartaz no teatro Ipanema não foge a regra. Um “Textão Clássico”, que nos deixa encantado com tanta qualidade e contemporaneidade dramatúrgica.

ARY COSLOV constrói uma encenação com o requinte, perfeição e acabamento, que só homens de sensibilidade artística aguçadísssima seriam capazes. Nos mostra com leveza o tamanho das transformações, ideias, valores sendo substituídos de uma época, com um espetáculo limpo, contemporâneo e necessário. Além de ser responsável pela tradução e adaptação.

O que dizer de um elenco homogêneo em suas interpretações latentes e donos de suas personagens?! Todos imbuídos e nos mostrando o domínio cênico ao entrar em cena. Não se destaca ninguém, se enaltece a todos.
Cenografia de MARCOS FLAKSMAN imprime, ao colocar os atores em cima de um grande tablado no palco, força para que os mesmos se sintam donos da situação proposta. Simples, porém, valorizando muito a encenação.

Figurinos de uma elegância e correção indiscutível de BETH FILIPECKI.
AURÉLIO DE SIMONI ilumina com a experiência e o tamanho de seu talento. Deixa claro como uma iluminação pode ser imprescindível.
Trilha sonora também de ARY COSLOV corretíssima e comovente.
O espetáculo IVANOV, é um desses clássicos que nos deixa orgulhosos de sermos brasileiros.

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