SENSIBILIDADE, BELEZA, CONTEMPLAÇÃO NO OLHAR CÊNICO.
ALAIR GOMES era engenheiro, filósofo, crítico de arte e fotógrafo. Foi como fotógrafo que descobriu e se atirou na busca de seus desejos mais íntimos, proibidos, e nos induziu a ver o que só ele via. ALAIR tinha uma fome, um desejo de liberdade infinita.
Pouco sabemos sobre esse precursor do homoerotismo, e ele queria mostrar isso ao mundo através de suas fotografias, recheadas de um desejo pessoal. Um exercício de contemplação erótica.
O espetáculo ALAIR, em cartaz no aconchegante teatro Laura Alvim, tem uma sensibilidade, delicadeza e competência cênica de maneira a instigar a nossa libido. Tem uma plasticidade linda, agradável, mexendo com os hormônios de muitos espectadores através de corpos esculturais( André Rosa e Rafhael Sander), e do enorme talento de EDWIN LUISI.
O texto de GUSTAVO PINHEIRO é totalmente poético, e nos revela um ALAIR necessário para o público. Um texto cuidadosamente elaborado, fluente, que emociona os cílios dos olhos.CÉSAR AUGUSTO caminha por uma encenação na poesia do texto. Cenário de MARIANA VILLAS BÔAS, correto e prático.
TICIANA PASSOS veste os atores numa adequada indumentária. Destaque para a linda e precisa direção de movimentos de LUISA PITTA. TOMÁS RIBAS faz uma iluminação evidenciando e engrandecendo toda a poesia. Trilha sonora de RODRIGO MARÇAL, simplesmente exuberante na voz de CAETANO VELOSO.
EDWIN LUISI no auge da maturidade cênica, nos passa tranquilidade, segurança, amor, respeito por aquele momento mágico compartilhado, que ele conhece tão bem. Ele constrói o mesmo ALAIR que desejava uma liberdade infinita. Nos emocionamos com sua emoção/verdade/presença estupenda. Um ator completamente dono de seu ofício. Bravo. ALAIR se revela num espetáculo com infinitas razões de querer conhecê-lo.