Crítica teatral de “Hamlet”

A DESTRUIÇÃO DE UMA ORDEM ESTABELECIDA/IMPOSTA.

“Quem suportaria o desprezo do mundo, o insulto dos arrogantes, a dor do amor rejeitado, a lentidão da justiça, a prepotência das autoridades, o desprezo dos hipócritas”?

HAMLET é o provocador dessa destruição estabelecida/imposta e SHAKESPEARE nos diz coisas urgentes sobre a guerra, a loucura do mundo, e sobre nossos destruidores, os líderes políticos modernos.
A loucura que HAMLET demonstra é a nossa insanidade que vivemos hoje, no aqui e agora. Um jogo político muito maior e mais poderoso do que nós todos juntos. Nós estamos absorvendo essa loucura e nos autodestruindo, nos atormentando, nos tornando letais. Todos espionando a todos, com seus julgamentos, e cada um com sua verdade. Alguém se sente seguro aqui? Ali? Exatamente isso que HAMLET, da Armazém Companhia de teatro nos revela em sua mais nova montagem, no Centro Cultural Banco do Brasil. 

A respeitadíssima Companhia teatral, coloca em cena a modernidade do momento insano que vivemos. Um espetáculo de grande linguajar contemporâneo em todos os seus signos teatrais, traçando um paralelo com a destruição nossa de cada dia.

A versão dramatúrgica de MAURÍCIO ARRUDA MENDONÇA é de uma fluência e atualidade, num texto que impressiona sem perder o poder épico do grande clássico. Sem dúvida é o maior acerto, dentre muitos, de um trabalho cênico calcado na contemporaneidade.

O elenco: PATRICIA SELONK, RICARDO MARTINS, LISA EIRAS, JOPA MORAES, ISABEL PACHECO e LUIS FELIPE LEPREBOST, se mostra carregado de um domínio cênico de seus personagens, com total consciência de como interpretá-los com extrema propriedade. Bravo!
Destaque e muitos aplausos para a aparição em projeção de vídeo, através do cenário, para ADRIANO GARIB. Uma interpretação emblemática.
Uma cenografia funcional e bela de CARLA BERRI E PAULO DE MORAES.
A direção de PAULO DE MORAES dá ao talento dos atores todo empoderamento que constatamos em cena. 

Os figurinos corrretíssimos dentro da modernidade proposta nos remetendo aos nossos líderes da atualidade: CAROL LOBATO E JOÃO MARCELINO. Trilha sonora sempre expressiva de RICCO VIANA. Preparação corporal apoiando bem a desenvoltura dos atores em cena é de PATRICIA SELONK.

Uma iluminação esmeradíssima, contribuindo – e muito! – para a beleza do espetáculo. MANECO QUINDERÉ pontua as cenas na proposta que nos remetendo a atualidade.

HAMLET, Armazém Companhia de teatro é a loucura necessária. Clássico/ épico/ contemporâneo/destrutivo/construtivo/caótico/provocador.

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