NOSSOS DEUSES INTERNOS; O PODER DO INVISÍVEL, A PROCURA DAS LUZES SUBTRAÍDAS.
A CIA. TEATRO IMEDIATO, da Bahia, é calcada num trabalho cênico com influências direta do Butô, do teatro de GROTOWSKI e ARTAUD, em busca pelo essencial.
O espetáculo em cartaz no lindo Teatro Cesgranrio, no Rio Comprido, DEUSES INVISÍVEIS OU O DEUS DANÇANTE, nos revela um profundo e reflexivo MANIFESTO.
” SORTILÉGIO DE TER NASCIDO OU… ESTA MALDITA BÊNÇÃO QUE NOS ACOMPANHA”.
A CIA. diz:
” O poder da manifestação, intrínseca a todos nós. Um poder submerso, oculto, invisível. O que é invisível não deixa de existir. Criar uma obra de arte é manifestar; é transitar, transmutar, vestir a nudez, em total potência. Trazer a tona verdades. É preciso experimentar todos os níveis, abismos e vertigens, para evoluir”.
” Um manifesto ao meu querer ardente de ser e estar onde e como quero. Um manifesto por minha própria luz, pela luz de meu parceiro; por nossas luzes juntas. Um manifesto do poder dos encontros e desencontros, tão mágicos, tão cósmicos, tão belos, tão sublimes. O manifesto contra a ignorância humana que teima na tentativa de invibializar o direito à existência de alguns seres a fim de roubar alguma luz para si próprios. Dos que tentam apagar a luz de seres magistrais. Um manifesto a transcendência de nossos valores”.
A Concepção e Dramaturgia de LUDMILA BRANDÃO e THOR VAZ, é um diamante lapidado de literatura sublime. Um texto denso, esclarecedor, que mexe com nossas luzes internas e aquelas que insistem em se apagar pelo caminho que ousamos trilhar. Uma ousada empreitada dramatúrgica que expurga toda nossa obscuridade de um espírito a procura de si mesmo, a procura de uma trilha politicamente correta, e deságua na hipocrisia humana. Como já disse; Uma texto lapidado a quatro mãos abençoada. Necessário ser lido e ouvido.
A encenação de THOR VAZ é em conexão direta com toda profundeza e reflexão da dramaturgia. Cena tomada de empoderamento, limpa, clara.
O Videografismo de LAURA FRAGOSO dá toda luminosidade precisa por onde o texto quer chegar. Enriquece todo o trabalho cênico.
LEOPOLDO VAZ EUSTÁQUIO, cria uma trilha sonora na coerência fiel a uma literatura teatral sofisticada. Os ouvidos agradecem muito. Uma iluminação feita pela própria CIA. esmeradíssima, e num amálgama total cenicamente. JAVIER RUBIN faz uma produção enaltecedora, com uma simplicidade glamorosa.
O que dizer dos atores LUDMILA BRANDÃO e THOR VAZ?! Além de excelentes intérpretes, corroboram diretamente em todos os signos teatrais para que o espetáculo tenha a profundidade cênica que enxergamos em sua proposta. Obra prima feita a quatro mãos expostas em suas impactantes presenças.
A CIA. TEATRO IMEDIATO nos presenteia com a palavra que melhor define o fazer teatral: REFLEXÃO
A CIA. nos revela o AMOR; a única coisa que resta quando o tempo se esgota.